ENTREVISTA: Sam Claflin para a Red Magazine

Quando Sam Claflin chega ao hotel no sudoeste de Londres para nossa entrevista e sessão de fotos, é um momento meio Clark Kent. Eu estava esperando um homem bronzeado, glorioso, com tridente na mão como Finnick Odar de Jogos Vorazes (sim, sou uma fangirl de 31 anos). Então quase não o reconheço quando vejo-o pálido, com cabelo bagunçado, usando óculos redondos de tartaruga e uma bolsa Mulberry. Ele pede um café e parece – como a maioria dos novos pais – totalmente esgotado. Sam e sua esposa – a estrela de Luthor, Laura Haddock – tiveram seu primeiro filho seis semanas antes do nosso encontro com o Sam, e hoje é a primeira vez que ele ficou longe dele. Ele já está radiante sobre a paternidade – “Já estou sentindo saudades dele” – e mesmo estando “naquele ponto do cansaço que seus olhos doem”, ele é extremamente educado e charmoso. Ele conversa com o fotógrafo sobre Norwich FC e as últimas temporadas da série Catastrophe e conta histórias sobre trocas de fraldas para o pessoal do set (ele inclui as palavras “mangueira incontrolável”). O traje de Superman poderia vir a calhar. Nesse ano, Sam está fazendo sua transição de estrela adolescente para um nome conhecido. Ele já tem sucessos de bilheteria: ganhou um papel no quarto filme de Piratas do Caribe quase assim que saiu da escola de teatro, também esteve nos filmes de Jogos Vorazes (que arrecadou 2.3 bilhões de dólares, você já deve ter ouvido falar), e em Branca de Neve e o Caçador (ele fez uma aparição na sequência do filme, que foi lançada na semana passada). Ele dominou o gênero da comédia romântica ao lado de Lily Collins em Love, Rosie, e ganhou a aclamação da crítica por seu papel The Riot Club. Mas seu novo papel, um paraplégico suicida na adaptação do livro de Jojo Moyes, é diferente de qualquer coisa que ele já fez.

Um papel como Will Traynor é um sonho. Foi a experiência que mais abriu meus olhos e eu sinto que passar por ela me mudou. Sei que parece clichê, mas agora consigo perceber quando as calçadas não estão niveladas ou quando rampas para cadeirantes não estão disponíveis.”

Sam já passou pela mesma coisa que Eddie Redmayne, que enfrentou críticas por interpretar Stephen Hawking – sobre a questão de atores deficientes não terem a chance de interpretar papeis desse tipo. “Alguém no Twitter disse que estava bravo porque eu tinha sido escolhido para o papel em vez de um ator deficiente, e eu entendo o ponto, realmente entendo,” ele diz, soando verdadeiramente preocupado. “Mas é claro que há partes do livro e do filme onde Will ainda não era deficiente, e seria mais difícil pra alguém que é deficiente interpretar isso. É claro que precisamos dar mais oportunidades para pessoas de diferentes cores, raças e habilidades físicas. Não é que pessoas brancas e saudáveis estão roubando os papeis de todo mundo, mas os roteiristas precisam escrever histórias diferentes. Eu escreveria se pudesse, mas não posso!
Sam perdeu bastante de seu peso de Jogos Vorazes para interpretar Will. Durante quatro meses, ele seguiu uma dieta de 500 calorias por dia e malhou três vezes por dia. Mas a transformação foi mais do que apenas física.

Houve um ponto antes de eu começar a filmar em que eu estava me sentindo semelhante ao Will, emocionalmente e mentalmente. Não estou dizendo que sei o que é ser paraplégico, mas eu estava depressivo e com pouca energia, e estava passando por um momento difícil por razões completamente diferentes. Eu não estava no humor de fazer nada, e Will era assim no início do filme.

Se você já leu o livro, vai saber que em Como Eu Era Antes De Você, Will pede para seus pais levarem-no para as Dignitas, uma clínica suiça de suicídio assistido. “Eu não estava ciente das clínicas de suicídio assistido antes de ser escalado para o papel. Queria fazer pesquisas para me aprofundar melhor nesse mundo. O documentário de Terry Pratchett foi impressionante.” Mas ele se recusa a dar opiniões sobre esse assunto controverso – “Minha opinião, honestamente, é que… Todo mundo tem opiniões diferentes” – ele sugere que acredita no direito de morrer com dignidade. “As pessoas têm o direito de pensamento e expressão… Então por que estamos tirando isso delas?
Sam passou quatro meses ensaiando com a estrela de Game Of Thrones, Emilia Clarke, que interpreta a cuidadora e o interesse amoroso de Will, Louisa. Ele também ficou muito amigo da escritora do livro, Jojo Moyes. “O Sam é um amor,” Jojo me diz via e-mail. “Ele também é o homem mais cheiroso que eu já conheci. Tão cheiroso que eu e outras mulheres da equipe costumávamos seguí-lo para cheirá-lo.
Mesmo que ele poste vídeos dele e da Laura cantando músicas da Iggy Azalea e poste vídeos no Snapchat de sua cachorrinha Rosie, não espere fotos do Sam Júnior nem tão breve. “Estamos evitando postar qualquer foto dele,” ele diz, não querendo nem divulgar o nome de seu filho. “Não quero forçá-lo em um mundo que ele pode querer não fazer parte. Ele pode querer ser um banqueiro e mudar seu sobrenome.” Atualmente, é bem incomum as pessoas casarem e terem filhos na faixa dos 20 anos, mas Sam estava ansioso para se casar. “No dia em que eu conheci a Laura, eu sabia que queria casar com ela, então não senti como se eu estivesse apressando nada,” ele diz. Depois de conhecer sua futura esposa em uma audição para o filme My Week With Marilyn, Sam ligou para o seu agente para dizer que conheceu a mulher com quem queria se casar. No próximo dia eles tiveram um encontro e, meses depois, Laura entrou em contato com ele no Facebook. Eles casaram em 2013, e do olhar sonhador que ele tem quando fala dela até o “oi, amor” quando ela liga durante a sessão de fotos, posso dizer que ele está definitivamente apaixonado. Para Sam, ter filhos estava “escrito nas estrelas”.

Quando criança, eu adorava brincar com bonecas, fiz um trabalho experimental em uma creche e minha mãe era babá, então eu cresci ao redor de crianças. Alguém descreveu ter filhos para a minha mulher como ‘o melhor choque do mundo’ – acho que se encaixa.

Quando nos encontramos, Laura tinha sido fotografada pela primeira vez no tapete vermelho após ter o bebê, e um certo site comentou sobre seu “corpo-esbelto-pós-parto”. Sam se sente protetor sobre ela? “Sim, e acho que ela está provavelmente mais paranóica do que precisa. Ninguém deveria ser esperado em forma logo após ter um filho, mas acho que ela não tem nada para se preocupar. Ela está incrível. Ela é incrível.” Claflin também sabe como é ter seu corpo nos holofotes.

Eu e Laura estávamos de férias e tiraram fotos nossas na praia. Nós pensamos ‘Quem é que liga pra gente?’, mas comecei a ler os comentários das fotos e eles eram muito negativos, tipo ‘Você diz que ele é malhado? Olha pra ele, ele é gordo.’ Infelizmente, na indústria em que trabalhamos, isso é esperado, mas eu não saio por aí dizendo para as pessoas que elas são feias e gordas. As pessoas deveriam ser mais gentis. Sou uma pessoa normal – Tenho sentimentos! Eu me preocupo constantemente com a minha aparência porque o padrão entre os outros atores é muito alto. O Zac Efron, por exemplo. Ele tem a minha idade e nós dois fomos indicados para “melhor cena sem camisa” e eu votaria nele! Ele mantém aquilo o tempo todo. Essa é uma baita escolha de vida. Eu não conseguiria. Detesto a academia. Faço por trabalho se eu precisar, mas se não preciso prefiro tomar uma cerveja ou um comer um hambúrguer com meus amigos.

Claflin faz 30 anos no mês que vem, lembra da vida antes da internet (“Você ligaria pro seu amigo e a mãe dele diria ‘Ele está lá fora em algum lugar’, então você pegaria sua bicicleta para encontrá-lo”) e lamenta o papel que a internet pode ter em formar ou acabar com um ator. “Ser famoso agora é quantos seguidores você tem no Instagram, e isso é bem triste. Conheço tantas pessoas que trabalham duro e guardam dinheiro para ir para a escola de teatro ou universidade, e quando chegam nas audições, o papel vai para a filha ou para o filho de alguém da produção. Quando você vê alguém privilegiado ganhar um trabalho que outra pessoa lutou pra ter, é irritante.”
Um de quatro filhos, Sam cresceu em Norwich com seu pai e sua mãe. Sam foi capitão do time de futebol, até que uma lesão forçou-o a tentar a atuação. “Eu falava antes de pensar. Eu tinha 1,57 e a cabeça raspada, brinco e cordão de ouro, e usava muito Kappa.” Ele agradece a família por manter seus pés no chão. A mãe dele meio que o obriga a responder todas as cartas de fãs. “Lembro que a primeira vez que eu vi um monte de cartas, eu disse, ‘Você não pode fazer minha assinatura?’ e ela disse, ‘Não seja tão ingrato! As pessoas gastaram dias nisso… Olhe o desenho dessa!‘”
Ele vai começar a gravar My Cousin Rachel em breve, uma adaptação da história de Daphne du Maurier com o diretor de Notting Hill, Roger Michell. Com o cabelo bagunçado de Sam e suas covinhas, não é difícil vê-lo se tornar o próximo Hugh Grant. Mas ele diz que preferiria ter uma carreira como a de Christian Bale. “Ele se transforma fisicamente de papel para papel,” ele diz. “Ninguém realmente sabe como é a aparência de Christian Bale, e eu gosto de me esconder atrás de um papel e me perder nele. Amo o processo de perder ou ganhar peso, ou deixar a barba crescer.” Na verdade, ele cultivou um bigode impressionante para seu papel na comédia de 1940 ao lado de Gemma Arterton e Bill Nighy, Their Finest Hour And A Half, que será lançado mais tarde nesse ano.
Com nosso tempo terminando, Claflin casualmente deixa escapar que ele fará uma maratona mais tarde naquele dia. “Bom, meu amigo ia fazer uma,” ele explica. “Então eu disse que treinaria com ele, e farei, também”.
Como Eu Era Antes De Você será lançado no dia 3 de junho.
Créditos da transcrição: http://samclaflinfans.net

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